sábado, 17 de julho de 2010

Sem complicar

Ela caminhava alegremente pelo espaço destinado às pessoas que não possuíam aparelhos de locomoção por força motora autônoma e artificial quando avistou aquele que num certo período indeterminado e não presente de vinte e quatro horas viria a ser o ser que a assumiria como a única com a qual ele teria uma relação de fidelidade para fins de sentimentos nobres e geração de seres menores apenas em tamanho e de características genéticas oriundas da combinação das suas e que levariam parte da composição de seus desígnios fonéticos.


Ele gostou dela e a desejou.

Ela não conseguia concatenar um processo sequer de sinapses bem sucedidas que implicassem em resultados satisfatórios do ponto de vista da ausência absoluta de qualquer razão que fosse capaz de resumir o volume inestimável de sensações corpóreas que se acumulavam naquelas três repetições de centena de segundos subseqüentes.

Ele tomou a iniciativa e foi falar com ela.

O processo de inalação e eliminação do elemento gasoso fundamental para a manutenção da vida ganhou sincronia desproporcional ao habitual nas vias condutoras do invólucro carnal daquela representante do gênero superior. Percebeu que já não era a principal condutora dos movimentos do sistema articulado.

Ele segurou a sua mão e curvou-se até tocar-lhe seus lábios na branca tez.

Para ela a propagação da energia que emanava do corpo celestial maior desapareceu e apenas a ausência poderia ser captada pelos seus dispositivos perceptivos.

Ele a segurou e com um copo de água trouxe-lhe de volta à consciência.

Ela dirigiu-lhe uma formação simples de palavras em tom interrogativo a respeito do sucedido.

Um mau súbito apenas.

Jamais se daria por plena a proposição do cavalheiro. Procurou auxílio profissional daqueles cujo ofício é reorganizar os pensamentos e domar os impulsos, mas nenhuma proposta de resolução de dúvidas foi bem aceita. Restava-lhe as palavras sugestivas daquele ser que mais estimamos por ter nos gerado, parido e alimentado até que ganhássemos auto suficiência e responsabilidade sobre nossos atos. Foi um hiato temporal que não contabilizou mais do que duas vezes a centena de milésimos:

- É o amor, minha criança.